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Prefeitos de Minas não querem tentar a reeleição

13 de Dez de 2019 | 21:38h

Crises econômica e política afastam gestores que poderiam concorrer novamente em outubro
Foto: divulgação
Prefeitos mineiros durante Congresso Mineiros de Municípios em Belo Horizonte
Crise política e financeira, desgaste político e campanha sem financiamento privado. Todos esses aspectos, se somados, resultam em um cenário desanimador para prefeitos que poderiam tentar conquistar um segundo mandato nas eleições deste ano. Levantamento realizado por O TEMPO mostra que, dos chefes dos 853 municípios mineiros, 683 estão aptos a concorrer ao pleito municipal. Mas, em conversa com a reportagem, alguns deles confidenciaram que o desejo de dar continuidade à gestão tem dado lugar, principalmente, à desistência.   Na avaliação de Antônio Andrada (PSB), presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Barbacena, na região Central de Minas, o cenário nacional tem tirado dos prefeitos o desejo de tentar a reeleição.   “Em 30 anos de vida pública, nunca vi tamanho desânimo e falta de perspectiva dos prefeitos. A crise econômica e o cenário nacional os desanimam. Os municípios dependem de verbas estaduais e federais, e a instabilidade política gera dificuldades no encaminhamento dessas verbas. E não tem como comandar uma cidade sem dinheiro”, explica.   Andrada não tentará se reeleger neste ano porque deverá se candidatar à Câmara Federal em 2018. “Eu já tive outros mandatos e acho que cumpri minha etapa municipal”, diz.   Para Jeferson de Almeida (PSDB), que comanda a cidade de Cana Verde, no Centro-Oeste mineiro, não “compensa” ser prefeito no Brasil. “A despesa aumenta, e a receita diminui. Não compensa ser prefeito em um país igual ao nosso. Temos as leis que nos dão atribuições, mas não temos recursos para colocá-las em prática”, afirma.   Ainda de acordo com Almeida, ele está conseguindo “com muito custo” manter as contas do município, com cerca de 6.000 habitantes, em dia, mas não conseguiu realizar algumas promessas que fez durante a campanha. “A gente está funcionando bem, na medida do possível. Mas muitas coisas que eu prometi e queria fazer, não dei conta. O país está um caos, e ninguém olha para as cidades pequenas”, desabafa.   O primeiro prefeito japonês do Brasil, Yuji Yamada (PRP), que chefia Janaúba, no Norte do Estado, se diz decepcionado com a política do país. Proprietário de uma exportadora de bananas que possui 20 fazendas em Minas, Yamada declara que irá voltar para a área da iniciativa privada.   “Não tenho interesse em continuar na vida pública. Eu não sabia que os políticos agiam com tanta rivalidade. Na área privada, temos como manter as contas em dia e temos mais controle”, diz.   Yamada ainda conta que é difícil comandar uma cidade como Janaúba, que tem mais de 70 mil habitantes, em tempos de crise. “A economia do Brasil enfraqueceu muito. Os gastos aumentaram, e os repasses diminuíram. Eu planejei as coisas de uma maneira, mas não consegui fazer por causa da economia”, revela.
Fonte: O Tempo


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